A manhã aproximava-se lentamente, pálida e fresca, Augusto Rego depois de mais uma
noite inquieta sem sono, tinha as esperanças viradas para um caminho de andarilho, de
passadas curtas e sem propósito.
Antes andar sem rumo pelo fim da noite, que remoer
mais uma hora de desconforto nos lençóis amarfanhados, assim pensou.
Descia...
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A manhã aproximava-se lentamente, pálida e fresca, Augusto Rego depois de mais uma noite inquieta sem sono, tinha as esperanças viradas para um caminho de andarilho, de passadas curtas e sem propósito. Antes andar sem rumo pelo fim da noite, que remoer mais uma hora de desconforto nos lençóis amarfanhados, assim pensou. Descia a longa avenida de altos muros brancos, pontilhados pelo alinhamento de uma carreira de buracos côncavos, preparados para o escoamento de águas do campo lá em cima, moldados agora para outro intento, faziam a vez de ninhos improvisados para famílias inteiras de rolas e pombos, que se agitavam à sua passagem. Com a visão das luzes da cidade ao fundo, depois da ponte, desanuviava a raiva que lhe marcava o peito a cada passo que dava. Fugia lesto do presente incómodo, na direção do bulício da cidade prestes a acordar. Aí encontraria qualquer rastro de memórias antigas que talvez o iluminassem de alegria, nem que fosse por um momento só. Em vez disso, encontrou
Moins
Par Casimiro Teixeira
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Publiée le 25 Août 2011
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Plínio Monteiro sabia que metade da paz doméstica estava em não a desmentir nunca.
A
outra metade era um exercício precário de compreensão.
Não tinham filhos e
suportavam esse lapso da natureza sem se recriminarem.
Assim ela o julgava pelo
menos.
Plínio, mais do que tudo, desejava era deixar semente sua neste mundo, mas...
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Plínio Monteiro sabia que metade da paz doméstica estava em não a desmentir nunca. A outra metade era um exercício precário de compreensão. Não tinham filhos e suportavam esse lapso da natureza sem se recriminarem. Assim ela o julgava pelo menos. Plínio, mais do que tudo, desejava era deixar semente sua neste mundo, mas ela nunca lhe dava arresto a essa vontade, e escapava-se com mezinhas de fala ao jorro impetuoso da sua intenção. - Não quero coisa alguma a crescer-me aqui, - E apontava-lhe a sua barriga. – Querome manter moça e bonita para ti. Plínio duvidou que tivesse sido a sua última palavra. Pensava que quando uma mulher diz que não fica à espera que insistam antes de tomar a decisão final. Mas com ela era diferente, e não parecia haver jeito de gente ou do diabo que lhe mudasse a determinação entranhada. Foi por isso buscar solução a Deus. Ainda mal cantava o galo na manhã seguinte e já ele se encaminhava em passo ligeiro farejando a batina do prior. Encontrou-o a m
Moins
Par Casimiro Teixeira
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Três suaves pancadas na porta anunciaram-no, e o padre Carlos entrou no quarto,
trazia na mão um tabuleiro de vime com o seu pequeno-almoço.
Ao avistá-lo, cobriuse de vergonha, qual virgem pudica, e desviou os olhos, olhando para as portadas.
- Bom dia Artur.
- Proferiu o padre.
- Vou-te deixar aqui o pequeno-almoço, pois...
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Três suaves pancadas na porta anunciaram-no, e o padre Carlos entrou no quarto, trazia na mão um tabuleiro de vime com o seu pequeno-almoço. Ao avistá-lo, cobriuse de vergonha, qual virgem pudica, e desviou os olhos, olhando para as portadas. - Bom dia Artur. - Proferiu o padre. - Vou-te deixar aqui o pequeno-almoço, pois tenho de ir. Preciso de me preparar para a missa das oito. Fica à vontade, tens roupa lavada nesses gavetões aí na cómoda, ficar-te-á um pouco largueirona, mas ao menos veste uma muda fresca de roupa interior. Ah, e se quiseres tomar um banho, aviso-te que o esquentador é um pouco matreiro, normalmente após uma avé maria, e três decididas pancadas, ele acaba por aquecer a água, mas prepara-te para alguns arrepios. Bem, é tudo acho eu. Fica bem, em paz. Eu retorno, lá por volta das nove e meia, dez, está bem? Então até logo. - Padre! - Murmurou Artur. - Sim, meu filho? - Obrigado, obrigado por isto tudo. A sério. - Continuou cabisbaixo, não deixando que o
Moins
Par Casimiro Teixeira
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Viajam ambos em sono profundo depois do tórrido momento do
primeiro encontro, num comboio com destino a Paris.
A Lua
esmorecera e o dia acabava de nascer, a chuva ganhara de novo
terreno ao nevoeiro e voltava a cair, Teresa rejuvenescia a cada
momento no descanso da sua paz.
O destino final aproximava-se, a estação da Gare D...
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Viajam ambos em sono profundo depois do tórrido momento do primeiro encontro, num comboio com destino a Paris. A Lua esmorecera e o dia acabava de nascer, a chuva ganhara de novo terreno ao nevoeiro e voltava a cair, Teresa rejuvenescia a cada momento no descanso da sua paz. O destino final aproximava-se, a estação da Gare D Austerliz, e como assim era, ao alterar o ritmo sincopado da sua marcha, os guinchos metálicos dos travões a serem acionados sobre os trilhos, acabaram por o despertar primeiro, impulsionando Luís no retorno ao seu lugar, junto de Teresa. Queria desesperadamente lá estar quando ela despertasse. Vagueara até à brisa rápida da noite para fumar, e adormecera aí, no chão da plataforma. Despertava agora ainda meio cambaleante, com uma baba de fuligem a escorrer-lhe queixo abaixo, sem bem ter a certeza se tudo havia sido um sonho ou não. Apertou firmemente o bolso do casaco, sentiu um objeto lá dentro, um tecido, uma peça de roupa? Teria coragem para a tirar do bol
Moins
Par Casimiro Teixeira
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Publiée le 25 Août 2011
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