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O QUOTIDIANO MADEIRENSE
O HABITAT.
A habitação tornou-se hoje numa aposta preferencial do conforto
humano.
Mas nem sempre foi assim por falta dos meios e condições para tal.
Numa ilha
como a Madeira, onde os recurso são escassos...
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O QUOTIDIANO MADEIRENSE
O HABITAT.
A habitação tornou-se hoje numa aposta preferencial do conforto
humano.
Mas nem sempre foi assim por falta dos meios e condições para tal.
Numa ilha
como a Madeira, onde os recurso são escassos e desde o início repartidos de uma forma
desigual, é evidente a dicotomia entre pobres e ricos, que tem materialização no habitat
através das furnas e quintas.
O reaproveitamento das concavidades naturais da rocha, o cavar a própria habitação, a
choupana contrastam com a imponência e luxo das quintas servidas de casa do senhor,
dos criados e espaços de diversão como a casa de prazeres.
Esta dicotomia está patente
na visão que nos dão os estrangeiros a partir do século XVIII da ilha.
Assim no relato da
viagem de Cook em 1768 refere-se que “as casas dos principais habitantes são grandes,
as do povo pequenas”.
No Porto Santo temos as casas com cobertura de salão, isto é, um barro pardo que existe
na ilha e que tem grande aderência.
Encontra-se situação semelhante em algumas das
ilhas das Canárias.
Estas eram casas térreas de planta rectangular, tendo as paredes de
pedra solta, caiada ou rebocada.
Note-se ainda nesta ilha a utilização de troncos e
mastros de navios que davam à costa para o travejamento das casas.
O progresso económico e a disponibilidade dos materiais vão melhorando aos poucos a
qualidade do espaço habitado.
O Funchal do século quinze, a vila modesta que ganhou
forma na zona de Santa Maria do Calhau, era constituída de casas térreas,
maioritariamente de madeira e cobertas de colmo.
O mesmo se poderá dizer do espaço
urbano que se forma próximo do campo do Duque na Rua dos Mercadores.
O temor dos
incêndios levou o senhorio da ilha, o infante D.
Fernando, a determinar em 1470 que
todas as casas fossem obrigatoriamente cobertas de palha.
Esta medida não agradou a
nenhum dos proprietários, pois tinham de trazer as madeiras do norte e a cal e telha de
fora da ilha.
Tardará algum tempo até que esta situação mude e permita uma evolução
na construção das habitações do Funchal.
A década de oitenta, momento de plena
afirmação da economia açucareira irá permitir uma avultada distribuição da riqueza com
reflexos imediatos na habitação.
Note-se que em 1593 o fenómeno conhecido como
fogo do céu lavrou em cento e cinquenta moradias da cidade por serem de palha e
madeira.
A memória disso estará nas ruas da Queimada de Cima e de Baixo.
De entre a nomenclatura mais usual da habitação madeirense podemos distinguir a
furna, a choupana ou palheiro e a casa.
O reaproveitamento das furnas, não apenas
como habitação, mas também como armazém e palheiro do gado não é novidade.
É a
sobrevivência de uma tradição primitiva cuja técnica chegou à ilha por mão dos colonos
sejam eles portugueses ou das Canárias.
Para os primeiros povoadores que chegaram à
ilha este deverá ter sido o primeiro recurso.
Mais a importante oferta de madeiras
permitiu depois progredir para as casas de madeira de sobrado.
Segundo os cronistas da
época as madeiras da ilha revolucionaram a construção de casas em Lisboa, permitindo
o avanço das casas de sobrado.
A primeira casa construída por Zargo no Funchal, de acordo com Gaspar Frutuoso ao
alto de Santa Catarina onde a sua mulher construiu uma igreja, foi deste tipo.
Depois
avançou ao longo da Ribeira e fez construir no Pico da Frias, próximo da capela de S.
Pedro e S, Paulo aquela que foi a primeira habitação de pedra erguida na ilha.
E
finalmente assentou morada no alto, no actual espaço da Quinta das Cruzes.
Esta sim já
uma habitação sobrada e com excepcionais condições de comodidade.
É este o processo
alberto
vieira
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