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OS FLAMENGOS E AS ILHAS PORTUGUESAS DO ATLÂNTICO
Séculos XV-XVII
ALBERTO VIEIRA
A expansão europeia a partir do século XV oferece à Europa um novo espaço de domínio e comércio.
Portugueses e castelhanos abriram as portas e...
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OS FLAMENGOS E AS ILHAS PORTUGUESAS DO ATLÂNTICO
Séculos XV-XVII
ALBERTO VIEIRA
A expansão europeia a partir do século XV oferece à Europa um novo espaço de domínio e comércio.
Portugueses e castelhanos abriram as portas e estabeleceram as rotas de navegação e comércio que, depois,
italianos, alemães, flamengos e ingleses usufruíram.
A Europa estava então dividida entre dois pólos de
atracção, o mundo mediterrâneo e o mar do Norte.
Os principais mercados e rotas comerciais estavam nas
mãos de genoveses, venezianos, florentinos, flamengos e ingleses.
Portugal foi um espaço charneira entre
os dois mundos e, por isso mesmo, atraiu a classe mercantil de ambos que, paulatinamente assumiu o
domínio do mercado e novas rotas comerciais geradas com os descobrimentos.
Nas ilhas e de forma especial na Madeira, a presença de estrangeiros é evidente desde os primórdios da
ocupação, actuando primeiro na condição de estantes, conseguindo depois a necessária naturalização que
lhes permitia a participação activa na sociedade local.
Para a Madeira, o primeiro grupo, atraído pelo
comércio do açúcar foi dominado pelos italianos, flamengos e franceses, seguindo-se os ingleses à procura
do vinho e, finalmente, os sírios e os alemães à conquista do bordado.
A presença flamenga torna-se visível a partir da década de setenta do século XV, estabelecendo uma rota
directa de comércio de açúcar entre a Madeira e as praças de Bruges e Antuérpia.
Uma das mais evidentes
contrapartidas do relacionamento comercial está ainda hoje visível na presença das diversas oficinas de
pintura da Flandres, dispondo a Madeira de uma das mais importantes e valiosas colecções de arte
flamenga fora do seu espaço.
O comércio com a Flandres é anterior ao processo de povoamento das ilhas, documentando-se a existência
da feitoria portuguesa desde 1417.
Entretanto o casamento de Filipe o Bom com Isabel de Portugal
consolidou estas relações, que tiveram no açúcar madeirense o principal suporte, alargando-se às demais
ilhas e às especiarias das Índias.
Foi por força destas ligações que Bruges e Antuérpia consolidaram a
posição de placa giratória para o trato do açúcar no mar do Norte.
Lisboa foi um centro destacado de negócios onde se encontravam todos estes mercadores ou representantes,
alargando daí a influência aos novos espaços, como as ilhas e os espaços continentais.
Deste modo a
presença de flamengos, já fixados em Lisboa ou recém-chegados com as notícias de novas terras e
produtos, é uma realidade insofismável.
Eles são mercadores, mas também actuam na condição de
povoadores e descobridores.
O caso dos arquipélagos da Madeira e dos Açores é exemplar.
Por força da maior presença de povoadores nos Açores são ainda hoje evidentes os testemunhos na
toponímia.
Assim, na Terceira temos a Ribeira dos Flamengos enquanto no Faial são múltiplas as
referências, como o Vale e a Ribeira dos Flamengos, ponta da Espalamaca e a própria cidade da Horta que
derivará do apelido do seu fundador Hurtere.
Para a Madeira temos apenas notícia da levada dos flamengos
no Monte, o que prova na verdade, a menor permanência dos flamengos na ilha.
Em Cabo Verde devemos
assinalar a Ribeira dos flamengos, na ilha de Santiago, que não sabemos se tem a ver com a fixação de
alguma comunidade da Flandres no local.
Aqui, no arquipélago madeirense, são maioritariamente
mercadores e não povoadores, como sucede nos Açores.
DESCOBRIDORES E POVOADORES.
A Madeira, a primeira terra no espaço atlântico a merecer uma
ocupação efectiva pelos portugueses, rapidamente se transformou num centro de apoio às descobertas
atlânticas.
Segundo Zurara, a ilha foi desde 1445 o principal porto de escala para as navegações ao longo da
costa ocidental africana.
Para a nova aristocracia que começar a despontar nos novos espaços de ocupação
como a Madeira o empenho nas acções marítimas e bélicas foi ao mesmo tempo uma forma de homenagem
ao monarca e infante e um passo mais na aquisição de benesses ou comendas.
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