colombo madeira
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COLOMBO E A COMUNIDADE DAS CIDADES ITALIANAS NA MADEIRA ALBERTO VIEIRA CEHA FUNCHAL Durante muito tempo duvidou-se da ligação de Cristóvão Colombo à Madeira, para isso recriaram-se muitos argumentos abonatórios da tese. Isto só foi possível porque os seus autores actuavam com o total desconhecimento das fontes fundamentais que vinculam o navegador ao arquipélago, mas também porque ignoraram a dimensão assumida pela comunidade de cidadãos das cidades italianas na ilha. A Madeira foi, na segunda metade do século XV, um ponto de referência obrigatória na vida desta comunidade em Portugal, sendo o açúcar o principal motivo desta vinculação. É dentro deste contexto que deve ser entendida a presença do navegador na ilha. Ele integra-se na ambiência que serviu de fundo à fixação dos seus compatrícios: o comércio do açúcar e a conquista de uma posição de relevo por meio do casamento com um donzela de boas famílias. 1. A presença de italianos na Madeira deriva, não só, da sua forte implantação na península e manifesto empenho na revelação do novo mundo, mas também, da ilha se evidenciar como numa importante área de produção e comércio do açúcar. Em Portugal e Castela eles procuraram os portos ribeirinhos de maior animação comercial, e aí se evidenciaram como mercadores, mareantes e banqueiros. Aqui, os oriundos de Génova e Florença, cidades de grande animação comercial e marítima, abriram, nos locais de fixação, novas vias para o comércio com o mercado mediterrânico. A partir de Lisboa ou Cádiz eles intervêm, primeiro, no comércio peninsular, e, depois, nas navegações e actividades de troca no espaço atlântico. Esta última situação torna-se evidente com a intervenção de António de Noli e Alvise de Cadamosto. Os italianos, nomeadamente genoveses, para além de divulgadores de novas técnicas comerciais, foram, também, quem, depois dos árabes, esteve na origem da expansão de algumas culturas, como a cana de açúcar. A posição charneira da península itálica propiciara essa hegemonia