economia-madeira-uma visao prospectiva
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A economia da madeira uma visão prospectiva " E não criou Deus, nem levantou ou descobriu tudo terras chãs e fértil, mas também fez montes e vales, outeiros e campos chãos, terras mimosas e pedregosas, algumas secas e outras regadias, sendo só um elemento com tantas variedades, como a espécie dos homens com tão diversos rostos. As criaturas todas com virtudes, feições, cores, propriedades e qualidades tão estranhas e diferentes antre si, e tudo pera fermosura do Universo, pera, como bom pintor, com diversidade de cousas e cores, realçar com umas a fermosura das outras. assi também, ou quando logo criou o Mundo, no principio fez terra firme e muitas ilhas, ainda que adiante, ou antes do dilúvio ou depois dele ou com ele, algumas mudanças fossem e se fizessem. " (Gaspar Frutuoso, Livro Primeiro das Saudades da Terra, Ponta Delgada, 1984, p. 300) O estudo e entendimento da História Económica da Madeira só podem ser feitos no quadro do espaço Atlântico criado pelo europeu a partir de princípios do século XV. A ilha foi um dos primeiros exemplos da afirmação económica europeia além das fronteiras peninsulares e a primeira demonstração do que viria a ser o mercado atlântico. Desta forma a ilha materializa de forma clara as solicitações do velho continente e as esperanças e descobertas do Novo Mundo. 1- HISTORIOGRAFIA E BIBLIOGRAFIA. O Atlântico tornou-se uma realidade de análise historiográfica a partir da década de quarenta do século XX, sendo o exemplo dado pela historiografia norte-americana, preocupada em rastrear as origens europeias. O conceito começou a ser definido em 1947 com Louis Wright, mas terá sido o Mediterrâneo de F. Braudel (1949) que provocou esta atenção desusada a partir da década de cinquenta. Em finais do século XX tivemos o momento de afirmação da Historiografia Atlântica. De ambos os lados do Atlântico surgiram trabalhos em o Atlântico é o palco principal. O Atlântico define-se a partir do século XV como um espaço privilegiado dos impérios europeus onde as ilhas assumem uma função privilegiada no cruzamento de rotas, circulação de pessoas e produtos. A História das ilhas atlânticas mereceu, no século XX, um tratamento preferencial no âmbito da História do Atlântico. Primeiro foram os investigadores europeus como F. Braudel (1949), Pierre Chaunu (1955-1960), Frédéric Mauro (1960) e Charles Verlinden (1960) a destacar a importância do espaço insular no contexto da expansão europeia. E só depois surgiu a historiografia nacional a corroborar a ideia e a equacioná-la nas dinâmicas da expansão insular. São pioneiros os trabalhos de Francisco Morales Padron (1955) e Vitorino de Magalhães Godinho (1963). Esta ambiência condicionou os rumos da