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historia alimentação madeira

Format : Rapports
Catégorie : Sciences
Langage : Portugais
2 pages
Publiée le 16 Oct. 2008
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No mundo actual a culinária adquiriu elevado requinte. A sociedade chamada de consumo universalizou os nossos hábitos gastronómicos. Os hipermercados, os restaurantes são a expressão disso e ninguém os dispensa o acto de comer e beber deixou de ser uma necessidade fisiológica para se tornar num prazer. O requinte da cozinha, a arte e mestria dos cozinheiros assim o demonstram. A mesa transformou-se num espaço importante. À mesa selam-se contratos, decidese os destinos de um país, ou celebra-se um evento particular. Ainda há bem pouco tempo a inauguração da Ponte Vasco da Gama fez-se com uma monumental feijoada. A nossa culinária não está alheia a esta realidade. Ele é fruto duma herança europeia dos colonos que lançaram a semente no século XV e dos demais que foram atraídos pela sua magia e beleza. Os ingleses são os segundos descobridores da ilha e aqueles que mais influência nos legaram. A mesa torna-se variada ajusta-se ao paladar dos convivas e à disponibilidade dos produtos. A posição da ilha, o seu protagonismo histórico contribuíram para a sua afirmação desde o século XV e definiram uma evolução peculiar da mesa. Os forasteiros, de passagem ou em busca da cura para a tísica pulmonar, isto nos séculos XVIII e XIX, são os criadores e apreciadores da nossa gastronomia. Habituados às laudas mesas reprovam a frugalidade da mesa rural. O gáudio está no Funchal, nos salões das quintas ou do Palácio do Governador. Assim em 1793 saiu da ilha agradado com a mesa do governador da ilha, D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho " A sua mesa é uma das mais variadas e delicadas e em poucas partes do mundo se poderia apresentar cousa semelhante. Travessas esplêndidas sustentam animais inteiros; ali deparei com um porquinho recheado rodeado de laranjas, uma lebre armando um salto, faisões tentando levantar voo, ornados com a sua vistosa e flamejante plumagem". Esta opulência contrastava com a frugalidade da alimentação do povo. Diz-nos George Forster que "os camponeses são excepcionalmente sóbrios e frugais; a alimentação consiste em pão, cebolas, vários tubérculos e pouca carne". A ilha, terra de passagem de gentes assistiu também à movimentação e descoberta do mundo animal e vegetal. A ilha foi, na verdade, o espaço de passagem das plantas do continente Europeu para o novo mundo e vice-versa. Da Europa chegaram à ilha os cereais, a vinha e a cana de açúcar. Os dois primeiros por exigência da cultura cristã. A América e a África revelaram-se aos europeus na sua exoticidade e variedade dos frutos. Os descobrimentos peninsulares foram também a descoberta disso. Aos poucos a mesa europeia torna-se rica e variada. Cedo o ocidental assimilou aquilo que foi encontrando. Pimentos, feijão, mandioca, amendoim, chocolate, café, chá, baunilha, ananás, banana, milho e batata chegam à mesa europeia. As ilhas, e de modo especial a Madeira são viveiro da sua aclimatação aos solos europeus. A nossa variedade de frutos é resultado disso. A viagem de Vasco da Gama (1497-1499) veio a contribuir para a generalização do consumo das especiarias, já conhecidas dos europeus, mas só agora com uma rota segura da sua divulgação. Assim ao tradicional açafrão, a mesa apura-se com as pimentas orientais. Por muito tempo alguns produtos foram identificados com determinadas regiões. A maça apela-nos à grande metrópole de Nova York, enquanto o ananás nos recria as paradisíacas ilhas do Havai. Mas tudo terá mudado a partir do século XVIII. A alimentação progrediu e as ementas universalizaram-se. Os produtos perderam o selo de identidade de origem e entraram definitivamente no quotidiano. A mesa do mundo ocidental é uma só. As divergências e exoticidade sucede-se no confronto com outras culturas, como o mundo árabe e as regiões orientais. É neste lauto processo de transformação que se enquadra a afirmação da batata, que teve na Irlanda o principal centro difusor do tubérculo descoberto no novo mundo. Entre nós a sua generalização aconteceu em princípios do século XIX.
 

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