turismo e a descoberta da natureza
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O TURISMO E A DESCOBERTA DA NATUREZA Em pleno apogeu da indústria vinhateira temos a paulatina afirmação de um novo sector de serviços. A partir da segunda metade do século XVIII a ilha assume um outro papel. Alguém terá dito que os iniciais promotores do turismo insular foram os gregos, mas os primeiros turistas foram, sem dúvida, ingleses. Os gregos celebraram, na sua prolixa criação literária, as delícias das ilhas situadas além das colunas de Hércules. Os arquipélagos da Madeira e Canárias são mitologicamente considerados a mansão dos deuses, o seu jardim das delícias, onde eles convivem com os heróis da mitologia. Todavia foram os ingleses, ainda que muito mais tarde, a desfrutar desta ambiência paradisíaca, reservada aos deuses e heróis, escolhendo-as como rincão de permanência, breve ou prolongada. Diz-se até que a primeira viagem de núpcias, embora ocasional, terá sido protagonizada por um casal inglês. Mais uma vez a lenda que ficou conhecida como de Machim. Na verdade foi esta visão mítica, perpetuada nos relatos antigos ou reavivada nos testemunhos coevos, que motivou o desusado interesse do inglês pelas belezas aprazíveis da Madeira. A Europa oferecia ao aristocrata britânico demasiados motivos para o “grand tour” cultural. Mas a Madeira recriava os mitos antigos e reserva-lhe um ambiente paradisíaco e calmo para o descanso, ou, como sucede no século dezoito, o laboratório ideal para os estudos científicos; o endemismo insular propiciava esta última situação. De acordo com isso as ilhas tornaram-se no principal alvo de atenção de botânicos, ictiólogos, geólogos, o que levou Alfredo Herrera Piqué a considera-las “a escala científica do Atlântico”. Por isso foram os ingleses os primeiros a descobrir as infindáveis qualidades de clima e paisagem e a divulga-las junto dos seus compatriotas. O ilhéu, autêntico cabouqueiro e jardineiro deste rincão, estava por demais embrenhado na árdua tarefa de erguer paredes e arrotear os poios, e por isso mantinha-se alheio às suas delícias. Para ele esta beleza agreste dos declives não passava de mais um entrave na sua luta contra a natureza. Enquanto o madeirense cavava e traçava os poios o inglês entretinha-se nos passeios a cavalo ou em rede pelos mais recônditos locais da ilha. A verdadeira descoberta da Madeira foi obra dos ingleses. Neste contexto podemos afirmar que o português descobriu apenas o caminho para cá chegar. A partir da segunda metade do século dezoito foi a revelação da Madeira como estância para o turismo terapêutico, mercê das então consideradas qualidades profiláticas do seu clima na cura da tuberculose, o que cativou a atenção de novos forasteiros. A tísica propiciou-nos, ao longo do século dezanove, o convívio com poetas, escritores, políticos e aristocratas. Não obstante a polémica causada em torno das possibilidades deste sistema de cura a ilha permaneceu por muito tempo como local de acolhimento destes doentes, sendo considerada a primeira e principal estância de cura e convalescença do velho continente. Foi a presença, cada vez mais assídua, deste doentes que provocou a necessidade de criação de infra-estruturas de apoio: sanatórios, hospedagens e agentes, que serviam de intermediários entre estes forasteiros e os proprietários de tais espaços de acolhimento. Este último é o prelúdio do actual agente de viagens. Então o turismo, tal como hoje o alberto vieira