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Economia da Madeira-textos

Format : Divers
Catégorie : Littérature
Langage : Portugais
6 pages
Publiée le 16 Oct. 2008
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AS INDUSTRIAS E ARTESANATO. A valorização económica da ilha só foi possível com a definição de uma ajustada estrutura sócio-profissional capaz de satisfazer as necessidades fundamentais da sociedade e gerir a riqueza que alimentava o comércio externo. Diversas actividades de carácter artesanal completam o processo económico madeirense, atribuindo uma mais-valia à ilha e aos que nele participavam. Muitas faziam-se por necessidade dos próprios, mas outras tiveram como objectivo o mercado externo. É de salientar a obra de vimes e o bordado. Ambas as actividades foram uma forma de gerar riqueza e um complemento importante ao trabalho rural. O desenvolvimento destas actividades na década de quarenta do século XIX era ainda incipiente. A exposição realizada em 1849 pelo governador civil José Silvestre Ribeiro documenta este estádio e pode ser considerada como o principal impulso. Sabemos qual o ponto da situação das actividades artesanais na cidade em 1847. A grande incidência estava ainda nas actividades transformadoras de apoio aos sectores económicos dominantes e das que iam ao encontro das necessidades básicas quotidianas. O vinho dominava as exportações e os tanoeiros eram um grupo fundamental no recinto urbano. Das aduelas importadas dos Estados Unidos fazem as pipas que conduzem o vinho ao seu destino. Já a outro nível é notória a presença dos sapateiros e carpinteiros. A preocupação de José Silvestre Ribeiro pela animação industrial da cidade não foi notória. Mantiveram-se os ofícios tradicionais, isto é, sapateiros, carpinteiros e marceneiros. A crise do vinho retirou importância à maioria dos tanoeiros. Na área dos serviços destacam-se os barqueiros e os boeiros, o que poderá ser indício da maior circulação de gentes e produtos. Não deverá esquecer-se a presença do forasteiro, seja doente da tísica ou cientista. O turismo veio propiciar um conjunto de ofícios. BORDADO Outras actividades permitiram a revitalização da economia. O bordado madeirense não é uma invenção britânica, mas sim fruto de um tradição portuguesa trazida para a ilha pelos primeiros colonos e que persistiu em muitas famílias como forma de valorização do fato. Acabou por adquirir a partir de meados do século XIX uma função fundamental na economia da ilha e um suplemento familiar. A ligação do inglês surge a partir de 1854 com Miss Phelps que definiu os mecanismos adequados para a comercialização em Inglaterra. A primeira promoção do bordado e outras actividades artesanais aconteceu em 1850 numa exposição industrial feita no Funchal por iniciativa do Governador Civil, José Silvestre Ribeiro, repetindo-se depois na Exposição Universal de Londres. Este lançamento foi importante para que o produto rapidamente entra-se no mercado pela mão dos próprios ingleses. Os bordados da Madeira rapidamente se transformaram numa moda das famílias inglesas. A segunda metade do século dezanove foi o momento de rápida afirmação do bordado. Os dados estatísticos assim o confirmam. Em 1862 temos 1029 bordadeiras cujas toalhas bordadas renderam nas exportações cerca de sete contos. Aos poucos começam a surgir novos mercados. Em 1863 exportava-se já para os Estados Unidos, enquanto na década de oitenta abriu-se o mercado alemão. Este rapidamente adquiriu uma posição dominante. Tudo isto foi resultado das regalias aduaneiras na ilha e em Hamburgo, o principal porto de destino. Estes valores continuaram a subir sendo em 1906 trinta mil as bordadeiras e dois mil profissionais nas oito casas que contribuíam com 242. 342$180 réis. Já em 1912 temos 34. 500 bordadeiras. O novo século inicia-se com uma diversificação dos mercados e alteração da matéria prima. O algodão e a cambraia cederam lugar ao linho cru e a linha dominante passou a ser a castanha. Aos tradicionais mercados juntam-se o Brasil os EUA, Canadá, França e Africa do Sul. Os alemães mantiveram até 1914 uma posição dominante neste comércio, onde vinham conquistando terreno desde 1880. Esta situação conduziu ao aumento do número de casas dedicadas ao comércio do bordado. Em 1920 eram sessenta e uma, mas a crise económica e a guerra mundial conduziram a uma redução para quase metade em 1948, passando a trinta e quatro. Os alemães perdem importância em favor dos sírios Na década de cinquenta a crise do cruzeiro levou à perda do mercado brasileiro, mas a tradição do bordado manteve-se em algumas cidades brasileiras por mãos de madeirenses que para aí emigraram. O Brasil cedeu lugar à Venezuela e à Itália. Os EUA continuaram a ser um dos mais destacados mercados. A maioria destes mercados estavam na mão de um grupo restrito de comerciantes, oriundos do país de destino do grosso das exportações e entre eles e o mercado de destino existia uma relação de
 

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