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ilhas-historia

Format : Divers
Catégorie : Culture
Langage : Portugais
35 pages
Publiée le 16 Oct. 2008
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A FORTUNA DAS AFORTUNADAS Dados para uma análise comparada da História dos arquipélagos atlânticos nos séculos XV e XVI. ALBERTO VIEIRA. CEHA(Funchal-MADEIRA) avieira@avieira. net O Atlântico, que a História nos recorda é acima de tudo o mundo das ilhas. Aqui encontramos um conjunto polifacetado de ilhas e arquipélagos que foram relevantes no processo histórico do Oceano, actuando como intermediários entre o mar alto e os portos litorais dos continentes europeu, africano e americano. As ilhas anicham-se, de um modo geral, junto da costa dos continentes africano e americano, pois apenas os Açores, Santa Helena, Ascensão e o grupo de Tristão da Cunha se distanciam dela. Foi Gaspar Frutuoso, quem em finais do século XVI pela primeira vez reconheceu a identidade e protagonismo histórico deste espaço, reservando-lhe a sua obra monumental sob o título Saudades da Terra1 . Depois, a Historiografia do século XX veio dar-lhe razão. Assim, com o pioneiro estudo de Fernand Braudel(1) as ilhas adquiriram, de novo, um protagonismo evidente, sendo consideradas uma posição chave do oceano e litoral dos continentes que o abraçam. A partir daqui a Historiografia passou a manifestar grande interesse pelo seu estudo. Pierre Chaunu(2) , diz-nos que a intervenção dos arquipélagos da Madeira, Canárias e Açores, que designou Mediterrâneo Atlântico, na economia castelhana dos séculos XV e XVII foi muito activa(3) . No Atlântico português a actuação acontece em três frentes -- Costa da Guiné, Brasil e Índico -- alargou os enclaves de domínio ao sul do oceano, surgindo cinco vértices insulares-- Açores, Canárias, Cabo Verde, Madeira e S. Tomé -- imprescindíveis para a afirmação da hegemonia e defesa das rotas oceânicas dos portugueses. Foi aí que a coroa portuguesa assentou os principais pilares atlânticos, fazendo das ilhas até então abandonadas, lugares de acolhimento e repouso para os náufragos, ancoradouro seguro e abastecedor para as embarcações e espaços agrícolas dinamizadores da economia portuguesa. No primeiro caso podemos referenciar a Madeira, Canárias, Cabo Verde, S. Tomé, Santa Helena e Açores, que emergem, a partir de princípios do século XVI, como os principais eixos das rotas do Atlântico. Aqui há necessidade de diferenciar as ilhas que se afirmaram como pontos importantes das rotas intercontinentais, como foi o caso das Canárias, Santa Helena e Açores, e as que se filiam nas áreas económicas litorais, como sucedeu com Arguim, Cabo Verde, e o arquipélago do Golfo da Guiné. Todas viveram numa situação de dependência em relação ao litoral que as tornou importantes. Apenas a de S. Tomé, pela importância da cana-de-açúcar, esteve fora da subordinação litoral por algum tempo. O protagonismo das Canárias e Açores é muito mais evidente no traçado das rotas oceânicas que se dirigiam e regressavam das Índias ocidentais e orientais, resultado da 1 . São sete livros, contemplando os arquipélagos dos Açores, Canárias, Cabo Verde e Madeira. Cf. Miguel Tremoço de Carvalho, Gaspar Frutuoso. O Historiador das Ilhas, Funchal, 2001.
 

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