ilhas-historia
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1AS ILHASAS ROTAS OCEÂNICAS, OS DESCOBRIMENTOS E O BRASIL ALBERTO VIEIRA Centro de Estudos de História do Atlântico (MADEIRA) A condição de ilha e de ilhéus leva-nos por vezes a pensar que somos o centro do mundo. Esta visão egocêntrica, muito comum no quotidiano, perpassa também a Historiografia. A História e a Geografia ensinam-nos que o Homem ao longo do multissecular processo histórico quebrou as barreiras do isolamento. A ilha deu-se a descobrir e descobriu o envolvimento insular e atlântica. Perante esta inequívoca realidade a ilha, quando escalpelizada nos diversos aspectos do devir histórico deve ser de acordo com esta ambiência. Assim, o entendeu Gaspar Frutuoso em finais do século XVI com as célebres Saudades da Terra1 . É por isso que Albert Silbert nos recomenda que "para bem conhecer a história da Madeira é a do Atlântico que é preciso evocar"2 . Isto é verdade tanto para a Madeira como para as demais ilhas e arquipélagos. O Atlântico tornou-se uma realidade de análise historiográfica a partir da década de quarenta do século XX, sendo o exemplo dado pela historiografia norte-americana, preocupada em rastrear as origens europeias. O conceito começou a ser definido em 1947 com Louis Wright3 , mas terá sido o Mediterrâneo de F. Braudel (1949) que provocou atenção desusada na década de cinquenta4 . Só em finais da centúria surgiram estudos teóricos. Isto sucedeu num momento de afirmação da Historiografia Atlântica5 . De ambos os lados do Atlântico surgiram trabalhos em o Atlântico é o palco principal6 . O Atlântico pode ser considerado uma invenção europeia dos séculos XV e XVI, que se articula directamente com as políticas coloniais definidas pelas potências emergentes. Foi a partir daqui que se estabeleceu, em ambos os lados do oceano, um vínculo directo entre ilhas e áreas costeiras. A História, a Geografia marcaram a vida do oceano Atlântico nos últimos cinco séculos7 . O Atlântico define-se a partir do século XV como um espaço privilegiado dos impérios europeus onde as ilhas assumem uma função privilegiada no cruzamento de rotas, 1 . Cf. Miguel Tremoço de Carvalho, Gaspar Frutuoso. O Historiador das Ilhas, Funchal, CEHA, 2001. 2 . Uma Encruzilhada do Atlântico- Madeira(1640-1820), Funchal, CEHA, 1997, p. 76 3 . The Atlantic Frontier. Colonial American Civilization, 1607-1763, N. York, 1947. Neste mesmo ano Jacques Godechot publicava em Paris: Histoire de l’Atlantique 4 . Horst Pietschmann, Introduction: Atlantic History. History Between European History and Global History, in Atlantic History. History of the Atlantic System 1580-1830, Gottingen, 2002, p. 16; Leonard Outhwaite, the Atlantic: A History of an Ocean, N. York, 1957; John Elliott, Busqueda de la Historia Atlántica, Las Palmas de Gran Canaria, 2001 5 . Bernard Bailyn, The Idea of Atlantic History, Itinerário, Leiden-1996, nº. 20, pp. 1-27; Nicholas Canny, Writing Atlantic History; or Reconfiguring the History of Colonial British América, The Journal of A American History, nº. 86[1999], pp. 1093-114 6 . Huguette e Pierre Chaunu, Séville et l’Atlantique, 1504-1650, 8 vols, Paris, 1955-59; F. Mauro, Le Portugal etl’Atlantique au XVIIe siècle, 1570-1670, Paris, 1970; Charles Verlinden, the Beginnings of Modern Colonization, Ithaca/Londres, 1970. D. W. Meinig, The Shaping of América: A Geographical Perspective on 500 years of History, vol. I: Atlantic America 1492-1800, New Haven, 1986; KANAS, Alan L. e J. R. Mcnell, Atlantic American Societies from Columbus through abolition 1492-1888, London, 1992. 7 . D. W. Meinig, The Shaping of América: A Geographical Perspective on 500 years of History, vol. I: Atlantic America 1492-1800, New Haven, 1986. Pieter Emmer, In Search of a System: The Atlantic Economy, 1500-1800, in Horst Pietschmann, Atlantic History. History of the Atlantic System 1580-1830, Gottingen, 2002, pp. 169-178; Barbara L. Solow, Slavery and the Rise of the Atlantic System, N. York, 1991.